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segunda-feira, 24 de julho de 2017

ONDE VIVEM OS MAIS RICOS DO MUNDO !?

Conheça as regiões do mundo onde vivem mais pessoas com fortunas superiores a um milhão de dólares  

O número de milionários e multimilionários tem vindo a crescer. Apesar do abrandamento económico dos últimos anos, os mais ricos ficaram ainda mais ricos. Segundo um relatório do The Boston Consulting Group (BCG) sobre a indústria global de gestão de fortunas, em 2016 a riqueza financeira acumulada por particulares cresceu 5,3% para 166,5 triliões de dólares (cerca de 149 biliões de euros). 

A região da Ásia-Pacífico foi onde se registou o maior aumento de fortunas em 2016 (9,5%), seguida da América Latina (8,7%) e do Médio Oriente e África (8,5%). 

A Europa Ocidental (3,2%) e o Japão (1,1%), por outro lado, registaram as taxas mais baixas de crescimento. 18 milhões de famílias no mundo inteiro detêm mais de 1 milhão de dólares, avança o relatório do BCG. 

Essas famílias representam apenas 1% da população mundial, mas controlam 45% da riqueza privada de todo o mundo. Em 2021 estas famílias milionárias serão donas de mais de metade da riqueza mundial em mãos privadas, prevê a consultora americana. 

Os Estados Unidos concentram o maior número de multimilionários do mundo. 

Existem cerca de 7 milhões de americanos com mais de 1 milhão de dólares, e a BCG prevê que este número aumente para os 10 milhões até 2021 – uma taxa de crescimento anual de 8% (670 mil novos milionários por ano). 

A fatia da riqueza nacional que vai parar a 1% da população norte-americana mais do que duplicou nos últimos 35 anos. E de onde vem a riqueza acumulada pelos americanos? Segundo a BCG, cerca de metade da nova riqueza resulta da valorização de ativos financeiros já existentes (subida do preço de ações e de juros de obrigações e depósitos bancários). 
Fora dos Estados Unidos os milionários e multimilionários são mais raros. 

A China é o segundo país do mundo com mais ricos – 2,1 milhões de pessoas acumulam um património acima de um milhão de dólares.











www.dinheirovivo.pt

PCP recomenda ao Governo a criação de um novo programa público de realojamento - Vale de Chícharos: um bairro feito de precariedade

Estima-se que residam actualmente no bairro de Vale de Chícharos, na freguesia de Amora, Seixal, cerca de 250 famílias em prédios inacabados, onde faltam condições de segurança e de habitabilidade. 

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No bairro de Vale de Chícharos, mais conhecido por Bairro da Jamaica, vivem cerca de 1300 pessoas em risco permanente
No bairro de Vale de Chícharos, mais conhecido por Bairro da Jamaica, vivem cerca de 1300 pessoas em risco permanenteCréditos/ 
No preâmbulo do projecto de resolução que o PCP apresentou no Parlamento onde, entre outros aspectos, reivindica «a atribuição da habitação adequada e condigna em função da dimensão e das especificidades de cada agregado familiar», refere-se o encontro tido entre o partido e a associação de moradores. 
«Eles relataram-nos as condições em que vivempara além das habitaçõesserem precárias, têm inúmeras infiltrações e humidades, não têm qualquertipo de condições térmicas, no inverno é usual a água escorrer pelas paredes, as infraestruturas básicas são extremamente precáriasReferem que há muitas pessoas que residem no bairro com problemas de saúde», lê-se no diploma. 
O bairro surgiu na passada década de oitenta mas os prédios, devido à falência da empresa construtora, nunca chegaram a ser acabados. Sem condições mínimas de segurança, habitabilidade e de salubridade, os cerca de 1300 moradores, sobretudo oriundos de países africanos de língua oficial portuguesa, foram fazendo várias adaptações, no sentido de melhorar as condições dos edifícios.
«Nas caves e subcaves dos prédios acumulam-se águas devido à deficiente rede de saneamento, que foi improvisada pelos próprios moradores», refere-se no projecto de resolução. O partido acrescenta que «crescem as preocupações dos moradores também quanto à estabilidade estrutural dos edifícios».

Município tenta encontrar soluções de realojamento

Propriedade de uma entidade privada, os imóveis foram vendidos no ano 2000, no âmbito do processo de liquidação da massa insolvente da anterior empresa construtora.
Entretanto, o município do Seixal tem tentado encontrar alternativas para estes moradores junto da Administração Central e do proprietário, que não tem demonstrado disponibilidade.
Quando foi lançado o Programa Especial de Realojamento (PER) foram identificados 47 agregados familiares, no levantamento efectuado em 1993, realojados em 2002 no Bairro da Cucena (construído ao abrigo do PER). Depois disto, outras famílias foram chegando e ocupando esses edifícios.
O PCP denuncia que, «para além de ter transferido um conjunto de encargospara as autarquias», o programa «ficou aquém das necessidades». Acrescenta que «a Administração Central não se pode demitir desta responsabilidade (como fez o Ministério do Ambiente em resposta ao Grupo Parlamentar do PCP)», e recomenda ao Governo um estudo técnico que avalie as condições estruturais e de segurança dos prédios ocupados em Vale de Chícharos.
Simultaneamente propõe que, em articulação com a Câmara do Seixal, o Executivo proceda à identificação e caracterização das famílias que residem no bairro de Vale de Chícharos, a fim de efectuar «um levantamento das necessidades habitacionais rigoroso e actualizado». 
Entre outras recomendações, o PCP sugere que a solução de realojamento encontrada seja «abrangente», conciliando a intervenção «no plano da resposta à carência de habitação», mas também «no plano social», a fim de «promover a integração e a inclusão das famílias».
Os comunistas defendem a importância de manter os moradores, «tanto quanto possível, no seio da comunidade onde hoje residem, sem os desenraizar, de forma a procurar manter as actuais relações existentes entre os moradores». Frisam ainda que o processo deve garantir a audição e a participação dos moradores do bairro.

 www.abrilabril.pt

hotel na Serra Gaúcha feito com pipas de vinho


A região da Serra Gaúcha, no sul do Brasil, é um prato cheio para degustadores de vinhos. Mas em Canela, uma de suas cidades, você pode ir além e se hospedar dentro de pipas antes usadas para fermentar o vinho, tipo de acomodação que só existe em outros dois lugares no mundo: Holanda e França.
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Trata-se do Hotel Fazenda Pampas, que dispõe de 14 antigas barricas de 100 mil litros, transformadas em charmosas acomodações de três andares, três delas adaptadas para cadeirantes. Elas foram trazidas de vinícolas brasileiras, tem 90 m² e foram dispostas por entre os espaços verdes do hotel, onde há também lagos, lhamas, ovelhas, cavalos e outros animais.
Uma noite na barrica custa R$ 430, para duas pessoas. Dá só uma olhada:
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Todas as fotos: Reprodução fonte

vivimetaliun.wordpress.com

O racismo sempre foi a forma escolhida pelas elites para dividir os mais pobres, de forma que ninguém reparasse nos desmandos dos mais ricos.






O tempo é uma forja muito mais caprichosa do que muitos julgam. A história é uma máquina do tempo em que se cruzam os monstros do passado e todos aqueles que lutaram pela sua emancipação, num combate em que o futuro e o passado estão igualmente presentes
"Uma vez conheci um homem que viajou no tempo. Mergulhou na vertigem espaciotemporal que o catapultou dos anos 80 para o presente e encontrei-o numa das margens da ria de Bilbau. Entrou na máquina que o trouxe ao futuro ainda jovem e saiu com o rosto enrugado pelo tempo. Respondeu-me que era mentira. Que tinha vindo do futuro e aterrara no passado. De uma cidade cinzenta e industrial onde a luta de classes era o motor da história, observava agora como se afogava a rebeldia nas mornas águas da cidadania responsável. Curioso, perguntei-lhe como havia viajado no tempo. Um dia, a polícia emboscou-o e metralhou-o. Moribundo, conseguiu sobreviver e viveu sequestrado durante três décadas nos cárceres espanhóis”, assim começava um curioso texto, do jornalista Bruno Carvalho, sobre um homem que viajou 30 anos numa cápsula fechada.
O tempo anda mais misturado do que pensamos. Há momentos em que o presente, o futuro e o passado se parecem jogar num único instante. Como se daquele momento dependesse a redenção de um rio da história invisível, composto por todas as gerações que se bateram por um mundo melhor ou a manutenção, por mais mil anos, das correntes que nos prendem. E por vezes, como nos dias de hoje, temos o regresso dos monstros do passado, vendidos como as últimas novidades. Quem assiste à recuperação de um discurso racista com o pretexto de combater o “politicamente correto” consegue descobrir guiões antigos que pretendem fazer de determinados grupos da população o bode expiatório das misérias criadas por outros. Quem mandou neste país, nos últimos 40 anos e nos 48 anos anteriores da ditadura, não foram os pobres, os negros e os ciganos. A situação que temos num dos países mais desiguais da Europa foi construída por gente para quem os banqueiros, dos bancos que roubaram e afundaram, eram amigos do peito. Somos o país das portas giratórias, em que ser ministro é a antecâmara de ser administrador de um banco.
Coloquemos, pois, as coisas no seu devido lugar e com o seu respetivo peso: o rendimento social de inserção (RSI) significou menos 1,5% da despesa da Segurança Social em 2016. Os seus beneficiários receberam em média 113 euros – uma fortuna, como se vê, que dá para dar uma volta ao mundo e ir beber champanhe nas ilhas Seychelles. Segundo alguns estudos feitos – não há, obviamente, discriminação por raças no preenchimento de pedidos de apoio –, apenas 7% dos beneficiários do RSI são ciganos. O que significa que o peso do apoio a famílias ciganas andará à volta de 0,2% das despesas anuais da Segurança Social. Essas pessoas não recebem apoios sociais porque são ciganos, recebem-nos porque são pobres. Cerca de 90% dos ciganos encontram-se no limiar da pobreza. Situação que é perpetuada pelo racismo, pela discriminação e pela falta de escolaridade. Menos de 2,5% dos ciganos terminam o ensino secundário. Os estudos demonstram que o RSI, embora diminuto e reduzido, tem tido um efeito positivo em conseguir que os mais pobres e os ciganos consigam sonhar em frequentar o ensino obrigatório. Agora comparemos esses gastos sociais, que permitem a famílias de baixos rendimentos sobreviver e colocar as crianças nas escolas, com outros gastos habituais do Estado nos últimos anos. A intervenção da troika foi feita cortando os salários, as reformas e o apoio social aos mais pobres, e apoiando os bancos dos mais ricos. De tal maneira que a crise conseguiu o milagre da multiplicação dos pobres, mas também dos ricos: no final do governo da direita, os pobres estavam muito mais pobres e os ricos estavam mais ricos. Só o BPN custou aos contribuintes mais de 8 mil milhões de euros; o BES, não se sabe quantos milhares de milhões de euros vai custar. Mas uma coisa é certa: um dia de imparidades na meia dúzia de bancos que foram ao fundo custou muitas vezes mais do que o que pesa, aos contribuintes, o rendimento social de inserção para os mais pobres dos pobres.
Quando um candidato de um dos partidos que mais tempo esteve no governo depois do 25 de Abril escolhe os ciganos como culpados de todos os problemas de um dos principais concelhos do país, ele pretende duas coisas: mobilizar uma base eleitoral com o discurso simplista do ódio e deixar de fora, para continuarem a atuar, os verdadeiros responsáveis pela situação de pobreza e desigualdade que se vive em Portugal. O racismo sempre foi a forma escolhida pelas elites para dividir os mais pobres, de forma que ninguém reparasse nos desmandos dos mais ricos. Foi assim durante séculos com os judeus até ao nazismo, em que as crises e as fomes eram tapadas, pelos poderes da época, com o sangue e os massacres de judeus. Assim o fizeram reis e czares até Hitler. É assim na tentativa, em toda a Europa, de perseguir e criminalizar as populações de religião muçulmana. É assim o comportamento das forças da ordem nos bairros dos subúrbios das grandes cidades, como cantava Caetano Veloso no seu “Haiti”: “Só pra mostrar aos outros quase pretos/ (E são quase todos pretos)/ Como é que pretos, pobres e mulatos/ E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados”.
Não é surpreendente, portanto, o apoio da extrema-direita nacional ao candidato do PSD em Loures. São farinha do mesmo saco. O perigoso, aqui, é que quando um dos partidos que têm governado o país endossa o racismo, isso tem o efeito de o naturalizar perante grande parte da população. A tentativa do PSD para colmatar o enfado generalizado que os eleitores têm com Passos Coelho, importando um discurso racista e trumpista, é uma manobra que, independentemente dos ganhos eleitorais a curto prazo, provocará catástrofes sociais duradouras. Os discursos das pitonisas da situação contra o chamado “politicamente correto” são parte desta manobra ideológica. Os poderosos do burgo não se contentam em mandar, explorar as pessoas e terem esmifrado os contribuintes nos seus negócios de honestidade duvidosa. Sempre que alguém os critica por fazerem um discurso discriminatório com aqueles que têm menos poder nesta sociedade, tentando reforçar ideologicamente a homofobia, o machismo e o racismo, começam a berrar como se fossem os perseguidos e ofendidos do burgo. Não faltam cronistas, de lágrima fácil, a dizer aqui-d’el-rei que está a liberdade em causa, quando há gente que confessa que não promoveu nos hospitais médicos por serem homossexuais ou quando há candidatos a autarquias que pretendem criminalizar a pobreza.
Em 1974, ano da revolução portuguesa, a escritora Ursula K. Le Guin publicou o romance “Os Despojados”. Como a maior parte das obras de ficção científica, fazia-se num futuro mítico a análise do que somos hoje. Nestas páginas digladiavam-se vários modelos de sociedade, com as suas qualidades e defeitos. Numa lua viviam as populações num regime igualitário sem Estado e autogovernado pelas pessoas, e no principal país do planeta existia um capitalismo selvagem que proporcionava uma vida de luxo a alguns e uma miséria sem escapatória para muitos.
O romance é fruto de um sentimento de época, um tempo em que havia a capacidade de sonhar mundos diferentes. O racismo, a xenofobia e o ódio alimentam-se de uma realidade frustrante em que campeiam as injustiças e as desigualdades, mas sobretudo são garantidos por uma imposição prévia: querem-nos, e têm-nos, impedido de sonhar com mundos diferentes e melhores, em que aqueles que têm mandado até aqui sejam varridos para o caixote de lixo da História. De alguma forma, precisamos de regressar a um passado em que as utopias são pensáveis, para que possamos construir um outro futuro.



A CHACINA DO PÁRA

VÍDEO



Novo depoimento fortalece suspeita de que policiais civis trabalhavam em associação com os seguranças da fazenda Santa Lúcia, onde houve a chacina de dez trabalhadores rurais sem-terra no Pará. Eles foram assassinados durante operação das polícias civil e militar no dia 24 de maio em Pau D’Arco. Foi a maior chacina no campo dos últimos 20 anos.
Honorato Babinski Filho, dono da fazenda, afirma que a responsabilidade sobre administração dos seus vigilantes compete ao chefe da empresa Elmo, contratada por ele para fazer a segurança da fazenda. “Não tinha conhecimento do andamento do trabalho da polícia e da mesma forma desconheço que os vigilantes tenham participado”.

A participação dos seguranças privados corrobora uma das suspeitas para a motivação do crime: vingança. Isso porque, no dia da chacina, a polícia entrara na fazenda para cumprir mandados de prisão de dez trabalhadores  sem-terra investigados pelo assassinato de Marcos Batista Ramos Montenegro, um dos seguranças da fazenda. Marcos morreu com um tiro no rosto no dia 30 de abril – menos de um mês antes da chacina.

Sobreviventes narram ter ouvido a voz do superintendente da Polícia Civil de Redenção, Antônio Miranda, comandando as execuções. Oficialmente, o superintendente não participou da operação que resultou na chacina.

“Eu ouvi o Miranda falando: ‘É pra matar’", diz uma testemunha que se escondia a cerca de 70 metros do local. “Os outros tavam chorando. Eu ouvi, eles falavam: ‘eu não vou correr não, pelo amor de deus’. Eles estavam vivos. Ouvi as pancadas, e depois não ouvia mais eles falando. Só murmúrio, gemendo. [Os policiais] riam e gritavam. A voz do Miranda [estava] alta, alterada, comemorando”.

Chacina no Pará: depoimentos indicam que polícia agia em associação com fazendeiros  

A propriedade foi herança de Honorato Babinski a sua esposa Maria Inez Resplande de Carvalho e três filhos. A fazenda Santa Lúcia está no nome de um deles, Honorato Babinski Filho.
Essa não foi a primeira vez que a polícia matou dentro das terras da família Babinski. Em 2013, em caso que ocorreu na fazenda Pantanal, de Maria Inez Resplande de Carvalho, testemunha afirma que a pecuarista pagou um agente da polícia civil para retirar posseiros de sua terra. Dias depois, em ação na mesma propriedade, outro grupo da polícia civil atirou e matou o funcionário que teria feito o pagamento.
A denúncia sobre o suposto pagamento de propina é um dos elementos da investigação que busca descobrir se um grupo da polícia civil paraense estaria trabalhando ilicitamente na defesa dos interesses dos Babinski.
A testemunha, Elizete Gomes da Silva, falou com exclusividade à Repórter Brasil. Seu depoimento foi colhido pelo promotor Alfredo Amorim, responsável pela investigação sobre a chacina no Ministério Público Estadual. O caso está sendo investigado também pela Polícia Federal.
Elizete está expondo sua vida ao denunciar a suposta corrupção policial em Redenção, cidade onde vive. Ela foi a única entrevistada pela reportagem que concordou em publicar seu nome junto com as denúncias sobre a polícia. O medo ronda as testemunhas e pessoas que têm informações sobre a chacina. Há atualmente seis sobreviventes no programa de proteção à testemunhas.
Apesar da presença da Polícia Federal na região, o conflito continua a se desenrolar. Na última sexta-feira, 7 de julho, houve mais um assassinato relacionado à fazenda Santa Lúcia. Rosenildo Pereira de Almeida levou três tiros na cabeça na cidade de Rio Maria, a cerca de 60 quilômetros de Pau D’Arco. Ele era uma das lideranças do acampamento montado na fazenda Santa Lúcia depois da chacina. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, Rosenildo recebia ameaças para abandonar a ocupação.
“Produtores rurais, fazendeiros, policiais e bombeiros, vocês não estão sós nessa guerra”, disse o deputado estadual soldado Tércio Nogueira (PROS/PA), seguido por aplausos. Na plateia, faixa dos policiais militares inativos de Redenção anunciava “apoio aos companheiros do episódio Santa Lúcia em Pau D’arco”.

Também estava presente ao ato o deputado federal Éder Mauro (PSD/PA), que foi investigado por tortura em processo arquivado pelo Supremo Tribunal Federal. Ele foi o mais votado do Pará em 2014 e integra a chamada bancada da bala.

De volta à Assembleia Legislativa, em Belém, Éder Mauro bateu boca e teve que ser contido pelos presentes para não agredir o deputado estadual Carlos Bordalo (PT/PA). Presidente da Comissão de Direitos Humano, Bordalo foi um dos responsáveis pela confecção do relatório sobre a chacina.

Uma das conclusões do documento foi a menção às possíveis motivações da violência contra os trabalhadores: “é plausível afirmar que a operação tinha o propósito velado de desmantelar qualquer capacidade de rearticulação da ocupação favorecendo os pretensos proprietários e encerrando de vez o conflito agrário”.

O novo assassinato no dia 7 de julho é um indicativo de que a investigação ainda não chegou aos culpados pelo crime. Segundo a Liga dos Camponeses Pobres, organização da qual o trabalhador assassinado fazia parte, Rosenildo participara da reconstituição do crime que ocorreu dias antes no local, com a presença das policias federal, civil e militar. ::


Testemunha diz que pecuarista já teria pago a policiais para retirar sem-terras de outra de suas propriedades. Evidências indicam que polícia agia lado a lado com seguranças privados.
Procurada pela reportagem sobre a denúncia, a secretaria de segurança do Pará afirma que o superintendente Antonio Miranda não estava presente na operação. “Por isso, não há necessidade de ser investigado”, informa a nota. O superintendente não foi afastado de suas funções.

A versão de confronto, inicialmente apresentada pela polícia, foi descartada pelo promotor que investiga o caso. Sobreviventes relataram que os policiais chegaram atirando e, depois de render alguns trabalhadores, torturam e executaram um por um. (“Sobreviventes do massacre no Pará descrevem execução e tortura”).

A principal frente de investigação agora é descobrir quais policiais atiraram, a motivação das execuções, e se a violência policial contra trabalhadores é uma prática associada ao pagamento de propinas.  “Uma linha importante é verificar se há uma ação sistemática de policiais que matam trabalhadores rurais na região”, afirma Deborah Duprat, subprocuradora-geral da República. “Outra frente são as empresas de segurança privada. Quero saber se são empresas ou se são milícias organizadas”.
Trabalhadores que estavam no acampamento da fazenda Santa Lúcia e seus familiares dizem que “todo mundo sabe que a polícia recebe dinheiro de fazendeiro”. Segundo eles, pagar os policiais para reforçar a segurança nas fazendas é uma prática comum na região.

Uma das trabalhadoras que integravam o acampamento descreve, na condição de anonimato, como funcionam as ocupações e a suposta reação dos fazendeiros em associação com a polícia: “A maioria das fazendas aqui é formada de grilo [falsificação de documento]. O grupo [de sem-terras] tenta buscar pra ver se a terra tem documento. Se não tem, reúne toda a família, acampa e entra na justiça. Ou o fazendeiro procura a justiça, que é difícil porque pela justiça ele vai gastar mais. Ou contrata outro serviço. Com segurança e pistoleiro ele vai gastar muito menos. O fazendeiro chega, paga, diz ‘eu quero o serviço assim e assim’. Eles [policiais] vão lá e fazem”.

Um mês antes da chacina, reintegração iniciou escalada de violência

Trabalhadores rurais sem-terra ocupam a fazenda Santa Lúcia desde 2013, entre idas e vindas provocadas por três ações de reintegração de posse. Antes da chacina, as principais lideranças e grande parte dos trabalhadores acampados eram ligados por laços familiares. Entre os dez mortos, sete eram da mesma família. Eles não faziam parte de um movimento formal, embora estivessem em diálogo com algumas organizações, entre elas a Liga dos Camponeses Pobres.
Um dos motivos que fazia o grupo insistir na ocupação era um processo aberto pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que negociava com os proprietários a compra da fazenda para fins de reforma agrária. Embora a área ocupada pelos posseiros estivesse sem atividades, a fazenda Santa Lúcia produz gado. Os trabalhadores sem-terra questionavam a documentação da propriedade, alegando que os títulos foram obtidos por grilagem (fraude de documentos para posse de terra) de área da união.
Na disputa que se estende há quatro anos, posseiros ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato dizem que a relação com os seguranças e policiais sempre foi tensa. Mas houve uma escalada de violência um mês antes do massacre, a partir do dia 20 de abril desse ano, quando a polícia civil foi cumprir a terceira ordem de reintegração de posse na fazenda Santa Lúcia.
Nessa mesma época, o pecuarista Babinski Filho contratou a empresa de segurança Elmo, que agora está no centro da investigação.
No dia da reintegração, segundo o relato dos trabalhadores, a polícia se deslocou pela fazenda lado a lado com os seguranças privados. O nome mais mencionado pelos trabalhadores nos relatos sobre esse episódio é, mais uma vez, o do delegado Antônio Miranda, superintendente da Polícia Civil. “Ele falou que a gente era um bando de bandidos que estava ocupando fazenda alheia”, diz um dos ocupantes, sempre sob a condição de anonimato.
Ainda sobre o dia da reintegração, outra testemunha diz que os policiais e os seguranças privados coordenavam a queima dos barracos: “Um policial desceu do carro e falou para o pistoleiro: quando eles acabarem de tirar as coisas, mete fogo no barraco”. Em depoimento, um funcionário da fazenda confirmou que dois pistoleiros foram contratados especificamente para colocar fogo nos barracos.
Um dos trabalhadores denuncia que, embora tenha tentado tirar seus pertences, o seu barraco foi queimado na presença da polícia. “Tinha a polícia com pistoleiros, e tacaram fogo. Foi roupa, colchão, cesta básica. Não deu tempo da gente tirar nada.”.
A queima dos pertences é um ato ilegal e revela o aumento da hostilidade contra os ocupantes. Para prevenir violações assim, foi criado um protocolo para reintegrações de posse, uma série de diretrizes fixadas pelo Governo do Estado. O protocolo nasceu em resposta ao massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra  (MST) foram mortos pela Polícia Militar durante manifestação em 1996.
Em abril desse ano, porém, a reintegração de posse na fazenda Santa Lúcia já começou violando a primeira regra do protocolo: a ação deve ser realizada por um batalhão especializado de Belém. Nunca pela polícia civil ou militar da região.

O dono da fazenda nega os abusos cometidos pela polícia e afirma que a reintegração foi pacífica. “Todos os trâmites formais e necessários foram cumpridos. Inclusive com presença de oficial de justiça que notificou as pessoas”, disse Honorato Babinski Filho, em resposta enviada por email por sua advogada.

Dias depois da reintegração, pistoleiros teriam atirado contra os trabalhadores sem-terra. A denúncia foi registrada em boletins de ocorrência por três trabalhadores na delegacia de Redenção. A reportagem tem todos os documentos.

Entre os denunciantes está Jane Julia de Oliveira. O depoimento foi prestado no dia 26 de abril ao delegado Valdivino Miranda. O mesmo que, um mês depois, comandava a operação que tirou a sua vida. Valdivino Miranda seguia em liberdade até o fechamento dessa matéria.

No dia 30 de abril, o segurança da fazenda Marcos Batista foi assassinado com um tiro no rosto. O inquérito sobre o caso corre em segredo de justiça e investiga o envolvimento dos trabalhadores na morte do segurança. Na sequência do assassinato, as lideranças sem-terra passaram a receber ameaças anônimas por telefone. Amigos e familiares dizem que a pressão crescia a cada dia.

Segundo uma testemunha, Jane, a líder da ocupação, estava com medo e pediu refúgio na sua casa dias antes da chacina. “Ela disse ‘vou ficar aqui porque tem duas caminhonetes rodando lá em casa’”, afirma a testemunha. “Eles ligavam para ela de número restrito e diziam ‘tá chegando teu dia, tá chegando tua hora’”.
Ato em apoio aos policias envolvidos na chacina

Enquanto a brutalidade do caso chocou entidades de direitos humanos locais e em todo Brasil e alcançou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), autoridades ligadas aos policiais do Pará promoveram um ato em apoio aos agentes envolvidos na chacina. 

A reportagem acompanhou a manifestação, que ocorreu no dia 29 de maio, três dias depois do enterro das vítimas. Pelo menos dois deputados estaduais e um federal discursaram, além da direção de associações das polícias civil e militar.
Equipe da perícia caminha na fazenda Santa Lúcia 
Corpos das vítimas no hospital de Redenção 
Enterro dos trabalhadores sem-terra mortos na chacina de Eldorado dos Carajás. Foto João Roberto Ripper
Enterro dos trabalhadores rurais mortos na chacina. Foto Antonio Carlos/Repórter Brasil
O deputado estadual soldado Tércio Nogueira (PROS/PA) discursa em ato em apoio aos policias envolvidos na chacina. 13 deles foram presos essa semana
Nessa segunda-feira, a justiça estadual decretou a prisão de 13, dos 29 policiais que participaram da operação. Entre os presos, 11 são policiais militares. Entre eles está o subcomandante da Polícia Militar de Redenção, Carlos Kened Gonçalves de Sousa. Segundo informações de jornais locais,ele e o delegado da Delegacia de Conflitos Agrários, Valdivino Miranda, que comandou a ação na fazenda, buscaram a Polícia Federal para negociar um acordo de delação premiada.

Testemunha diz que levou dinheiro a policial em 2013
Se comprovada, a denúncia feita por Elizete é grave. Ela era casada com Leomar Almeida da Silva, pistoleiro ou “segurança” da fazenda Pantanal. Os termos “seguranças” e “pistoleiros” são usados na região para definir os homens contratados por fazendeiros para fazer a proteção de suas terras. A prática é antiga, nos últimos anos surgiram empresas de segurança privadas com licença para oferecer o serviço de modo formal.
 Elizete conta que seu marido fora contratado pela pecuarista Maria Inez em 2013 para proteger a fazenda Pantanal contra a entrada de posseiros. Segundo ela, uma das atribuições de Leomar foi pagar a polícia para fazer uma vistoria na área. A mando da proprietária, ele teria levado a primeira parcela de dois mil reais a um policial civil de Redenção. Depois de feita a vistoria na área, Elizete teria pago pessoalmente a segunda parcela, de mil reais, entregando o dinheiro “em mãos” ao policial civil.
Alguns dias depois, em 18 de outubro de 2013, a polícia civil foi à fazenda e atirou contra um grupo recém-contratado para proteger a área. Leomar foi o único morto na ação. Segundo o inquérito aberto sobre o caso, Leomar morreu na casa do gerente da fazenda, onde passava a noite com grupo recém-contratado para proteger a área
À época, a polícia civil divulgou à imprensa local que a operação atendia denúncia sobre um grupo armado que estava na fazenda Pantanal. Leomar foi acusado pela polícia de ser chefe de um bando “responsável por assaltos a bancos, tráfico de drogas e invasão de fazendas”, conforme publicado por um jornal local.
Elizete garante que Leomar nunca se envolveu em atividades criminosas e saiu em defesa do marido, denunciando o esquema da propina à Corregedoria da Polícia Civil, que abriu uma Apuração Administrativa Interna em janeiro de 2014. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social do Pará afirma que “com a conclusão da apuração realizada pela Corregedoria Geral, o resultado foi o arquivamento do processo administrativo por improcedência da denúncia”.

Um inquérito criminal foi aberto para apurar a morte de Leomar, no qual o depoimento de Elizete também foi colhido. O processo aguarda julgamento na Justiça Estadual.
Procurada pela reportagem, a pecuarista não respondeu as perguntas sobre a fazenda Pantanal. A sua advogada, Olga Moreira, afirmou que  o processo ainda está em fase de apuração e, por isso, sua cliente prefere não se manifestar.
Associação entre polícia e seguranças
O depoimento de Elizete não é o único elemento que sugere que a polícia paraense estaria trabalhando em associação com os pecuaristas. Outra evidência que aponta nessa direção é o fato de os seguranças da fazenda Santa Lúcia terem participado da ação policial que culminou na chacina do dia 24 de maio, conforme foi confirmado pelo promotor do caso, Alfredo Amorim. "É totalmente irregular a participação dos seguranças e pelo menos um deles estava armado. Eu sei que estavam de serviço para a fazenda", disse Amorim , em entrevista à TV Liberal.



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